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July 02 Crônica de uma morte anunciadaAmigos e amigas da bola,
Finalmente Parreira escalou o time do povo, com Juninho no meio e Ronaldinho no ataque. Mas, "quantas vezes, nesses 40 dias de preparação desde Weggis até Frankfurt, o Brasil treinou essa formação?", me perguntaria o incauto torcedor. A resposta coincide com o mesmo número de gols marcados pelo melhor do mundo nesta Copa, coincide com o número de partidas em que o Brasil venceu e convenceu neste mundial, coincide com o número de gols que Trinidad & Tobago marcou em Copas, isto é, ZERO.
Ontem, na primeira partida do Brasil que assisti em território nacional, fiquei pensando naquelas dezenas e dezenas de estrangeiros com quem cruzei ao longo desses 20 dias na Copa. De todos, ouvia a enorme admiração que sentem pela magia do futebol brasileiro, pela sua criatividade, capacidade de improvisação e brilho individual de seus atletas. De todos, igualmente, ouvia questionamentos sobre as fracas atuações do Brasil, apesar das 4 vitórias. Sempre respondia que estávamos esquentando, que o Brasil ia melhorar ao longo da competição e que estaríamos no auge a partir das quarta-de-final. A exibição de ontem, no entanto, foi tão patética quanto inacreditável. Em alguns momentos da partida (cerca de 75% do jogo) parecia que os jogadores brasileiros foram avisados no vestiário que uma derrota por até 3 gols de diferença classificaria o time. A apatia, o descaso, a inépcia, o desleixo, foram algo que jamais havia visto em Copas do Mundo. Conforme tive oportunidade de falar ontem após a partida, ao Benjamim Back durante o programa Estádio 97, transmitido ao vivo do Posto 6, a humildade e solidariedade que temos visto em todos os times que disputam a Copa jamais foi mostrada pelo time brasileiro ontem. O futebol brasileiro vive uma crise de empáfia e soberba que são absolutamente irritantes. Todos os jogadores da seleção, sem exceção, afirmam que o Brasil tem a melhor seleção do mundo, quase todos os brasileiros acham que temos o melhor time do mundo, toda a mídia afirma que o Brasil é o melhor do mundo. Meu Deus, se jogarmos 10 partidas contra a Italia, Alemanha, Inglaterra, França, Argentina, asseguro que serão 10 partidas equilibradíssimas, onde qualquer um pode vencer. Estive no estádio de Dortmund e vi o quanto foi enganoso o placar de 3 a 0 contra Gana. Em muitos momentos, tomamos um sufoco de ..... Gana. Será que ninguém vai se lembrar de dizer ao povo brasileiro que na final da Copa das Confederações no ano passado em Frankfurt, a Argentina jogou sem 6 (meia-dúzia) de titulares? Por que tanta arrogância e soberba?
Desculpem o desabafo, mas acompanhei as derrotas de Argentina e Inglaterra nas mesmas quarta-de-dinal. Quanta raça e determinação, quanto orgulho para seus torcedores ver suas seleções caírem de pé, com honra. Assisti também as derrotas em 82 e 86, para Itália e França, respectivamente. E me lembro, como se hoje fora, de ver todos os jogadores brasileiros arrasados, imagens de lágrimas descontroladas e genuínas, uma dor que se identificava com a nossa. E, assisti ontem, as entrevistas de Cafu, Ronaldo, Ronaldinho, Roberto Carlos, lamentando a derrota num lance de bola parada (meu Deus, se fosse 4 a 0 ainda seria pouco) e dizendo que foi uma pena.
Parabéns, argentinos e ingleses, pela honra e dignidade com que representaram seus países.
Abraços
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